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IMPRENSA

30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima

30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima

04.12.2025

“Como avaliar os resultados da COP30?” foi uma das questões mais repetidas, ao longo da passada semana e um dos temas em debate, no último plenário do Parlamento Europeu, com a presença de Wopke Hoekstra, Comissário para o Clima, Emissões Zero e Crescimento Limpo.

Haverá quem diga que, como em outras coisas, é tudo uma questão de expetativas.

Se tivermos como referência a esperança criada pelo discurso de abertura do Presidente Lula, a COP30 ficou muito aquém do ambicionado. Recordem-se as palavras: A mudança do clima já não é uma ameaça do futuro. É uma tragédia do presente. (...) Sem o Acordo de Paris, o mundo estaria fadado a um aquecimento catastrófico de quase cinco graus até o fim do século. Estamos andando na direção certa, mas na velocidade errada. (...) Precisamos de mapas do caminho para que a humanidade, de forma justa e planejada, supere a dependência dos combustíveis fósseis, pare e reverta o desmatamento e mobilize recursos para esses fins. Ora, nenhum destes apelos encontra uma resposta clara na declaração final aprovada em Belém.

Mas se a referência for a intervenção do Comissário Hoekstra, a horas do encerramento, face à “quase proposta final” da presidência - Neste sábado, milhares de pessoas marcharam nas ruas de Belém reclamando ação. Na redução de emissões. No abandono dos combustíveis fósseis. Com justiça. E nós concordámos. (...) E agora olhem para o texto de compromisso. Olhem para lá. Nada disso está lá. Nem a ciência. Nem a transição. Apenas fraqueza... - então, a COP30 conseguiu alcançar um compromisso, consensualizando-o entre 195 países. Num contexto geopolítico muito difícil. Com o multilateralismo fragilizado. Sem a presença dos Estados Unidos. Com a oposição dos países produtores de petróleo. Persistiu-se em não deixar cair as metas do Acordo de Paris, em renovar o compromisso da aceleração da implementação e do apoio técnico e financeiro. Decidiu-se criar o Acelerador Global de Implementação (uma iniciativa colaborativa e voluntária, lançada sob a liderança das Presidências da COP30 e COP31, para apoiar os países na implementação das suas Contribuições Nacionalmente Determinadas e dos seus Planos Nacionais de Adaptação) e lançar a Missão Belém 1,5.º (uma plataforma orientada para a ação, sob a liderança da COP29-COP31, visando promover maior ambição e cooperação internacional em mitigação, adaptação e investimento).

Marina Silva, Ministra do Ambiente do Brasil, invocou a sua memória de ativista climática na “Rio 92” para fazer, o que parece ser, um adequado balanço desta COP: pensámos que a ciência seria suficiente para mover decisões e que a urgência falaria mais alto que qualquer outro interesse.

Também nós pensamos o mesmo e sabemos que a COP30 poderia ter sido muito mais.

Entre os fatores que teriam contribuído para um resultado diferente, inclui-se a coerência política e a liderança pelo exemplo da União Europeia. Ao mesmo tempo que em Belém, às portas da Amazónia, se aprovava o “Fundo Florestas Tropicais Para Sempre” e a “Iniciativa Unidos por Nossas Florestas”, o Partido Popular Europeu, que integra o PSD e o CDS/PP, e os Patriotas pela Europa, que integram o CHEGA, juntavam-se para um novo adiamento (e uma revisão!) do Regulamento Europeu para Produtos Livres de Desflorestação, depois de terem feito o mesmo para travar o Regulamento de Criação de um Quadro de Monitorização das Florestas Europeias. Aliás, com o apoio do Conselho Europeu. O que está em causa? Simplesmente o aumento da transparência nas cadeias de abastecimento das principais mercadorias de risco para a desflorestação e degradação florestal, como madeira, cacau, soja, óleo de palma, café e borracha. Estima-se que a sua implementação evitasse a destruição de cerca de 248 mil hectares de florestas e a emissão de 110 milhões de toneladas de CO2 por ano, até 2030.

Por isso, não sejamos condescendentes; o Planeta espera mais de nós.

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