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IMPRENSA

Mário Soares e o 25 de Novembro

Mário Soares e o 25 de Novembro

26.11.2025

Cinquenta anos volvidos sobre um dos episódios mais marcantes do processo de instauração de uma democracia liberal em Portugal, deparámo-nos com uma discussão insensata que apenas favorece os extremistas.

No dia 25 de Novembro de 1975, ao contrário do que alguns por ignorância ou oportunismo agora afirmam, não se assistiu a um mero ajuste de contas entre duas correntes militares. Nesse dia confrontaram-se dois modelos de organização política: um, que saiu derrotado, de natureza autoritária e assente numa suposta legitimidade revolucionária; outro, que conseguiu prevalecer, identificado com as democracias liberais e representativas vigentes na Europa Ocidental. Como sempre acontece na História nenhuma das partes em confronto se caracterizava por uma absoluta homogeneidade. No lado dos vencedores encontravam-se segmentos políticos de diversa orientação doutrinária. Mas, apesar disso, há algo que merece ser salientado: as estruturas dirigentes do PS, do PSD e do CDS convergiam no modelo de sociedade que preconizavam para Portugal. Foi essa convergência que permitiu as importantes revisões constitucionais de 1982 e de 1989, indispensáveis para a plena participação de Portugal no processo europeu.

Mário Soares foi, sem qualquer dúvida, a maior figura política dessa fase do nosso processo histórico. Liderou a luta contra a ameaça de inspiração marxista-leninista, governou com excepcional zelo democrático e dirigiu a oposição com impressionante sentido de Estado.

Não foi por acaso que se comportou de tal modo. Partiu para esse combate com ideias muito claras, já que sabia muito bem o que queria e o que não queria. Queria uma sociedade aberta, secularizada e pluralista, um regime político democrático assente no princípio da representação electiva, um Estado de direito que garantisse o pleno exercício das liberdades fundamentais, uma aproximação cultural e política à Europa; não queria um país perdido num patético sonho africanista, um regime fundado numa suposta legitimidade revolucionária, uma democracia tutelada por militares generosos mas destituídos de cultura política, uma via pretensamente original para o socialismo. Foi com essas ideias claras que travou e venceu alguns dos combates fundadores do modelo democrático em que ainda hoje vivemos.

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