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IMPRENSA

Uma Estratégia Europeia para o Turismo Sustentável

Uma Estratégia Europeia para o Turismo Sustentável

10.12.2025

O turismo é fundamental para a economia portuguesa e europeia. Este setor contribuiu com 34 mil milhões de euros para a economia portuguesa em 2024, o que equivale a cerca de 12% do Produto Interno Bruto, acima da média europeia de 10,5%. Estima-se que mais de 30 milhões de empregos na União Europeia dependem do turismo, um valor que deve aumentar para 34,5 milhões até 2035.
 

Apesar dos seus efeitos positivos, o crescimento do turismo em Portugal e na Europa tem trazido vários desafios.

Em primeiro lugar, o aumento do número de turistas tem, em alguns locais, repercussões negativas no bem-estar das comunidades locais. Tal é particularmente evidente no impacto que os arrendamentos de curta duração têm no preço da habitação, sobretudo em centros urbanos como Lisboa. A isto soma-se a pressão acrescida sobre as infraestruturas locais, nomeadamente ao nível dos transportes públicos.

Em segundo lugar, o setor do turismo, e as deslocações a ele associadas, produz um volume significativo de emissões que contribuem para as alterações climáticas. Os modos de transporte menos poluentes continuam a ter uma expressão reduzida, o transporte ferroviário representa apenas cerca de 10% das viagens, muito atrás do automóvel (64%) e do transporte aéreo (17%). Este desafio é particularmente relevante para ilhas e regiões ultraperiféricas, onde o turismo depende fortemente da aviação, um setor cuja descarbonização enfrenta ainda muitos obstáculos.

É neste contexto que a Comissão Europeia vai apresentar, no próximo ano, uma Estratégia Europeia para o Turismo Sustentável, enquanto o Parlamento Europeu já iniciou o debate sobre este tópico.

Precisamos de políticas públicas capazes de mitigar os impactos negativos do turismo na qualidade de vida das populações locais. No setor da habitação, medidas como as que o Partido Socialista apresentou no programa Mais Habitação são fundamentais, nomeadamente os incentivos à transição do alojamento local para o arrendamento de longa duração. As moratórias à atribuição de licenças para novos alojamentos locais podem, também, ter um papel fundamental nos concelhos com maior pressão turística.

É igualmente essencial reforçar o investimento em infraestruturas de transporte. Este investimento tem de ocorrer a nível local, para responder ao aumento da procura associado ao turismo, mas também a nível nacional e internacional. Hoje, 80% dos viajantes concentram-se em apenas 10% dos destinos a nível global. Isto cria regiões sobrecarregadas pelos efeitos do turismo, enquanto outras, com menor afluência, procuram atrair mais visitantes. Reforçar as ligações de transporte nacionais e internacionais é, por isso, essencial para reduzir a pressão nos chamados hot spots e garantir que os benefícios do turismo chegam a todas as regiões.

Precisamos, também, de assegurar a descarbonização do setor dos transportes. O Plano de Investimento em Transportes Sustentáveis recentemente apresentado pela Comissão Europeia pretende acelerar a transição para combustíveis alternativos e de baixo carbono no transporte aéreo e marítimo. É essencial dar continuidade a este investimento, com especial atenção às regiões ultraperiféricas, que dependem destes modos de transporte e não têm acesso a alternativas.

Em conclusão, os efeitos negativos do turismo não são inevitáveis. Com investimento adequado e políticas públicas eficazes, podemos assegurar que este setor continua a ser um motor da economia, promovendo simultaneamente o bem-estar das populações locais.

 
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