
06.05.2026
Existem discussões na União Europeia que parecem distantes da vida das pessoas até serem repercutidas no preço de uma viagem, no custo de um produto no supermercado, numa empresa que não consegue competir, num jovem que parte para estudar e não regressa, ou numa família que sente que viver numa ilha significa ter sempre menos opções.
Fui recentemente designado relator do Parlamento Europeu para um relatório sobre o papel da Política de Coesão no apoio às Regiões Ultraperiféricas. Algo que assumo com muita vontade, pela importância que isso tem para o nosso país e em particular para Madeira e para os Açores, e pelo facto da Comissão Europeia estar a preparar uma nova Estratégia para as Regiões Ultraperiféricas, a ser apresentada ainda este ano.
Enquanto relator, vou defender que esta renovação estratégica tem de partir de uma ideia simples. Viver numa região ultraperiférica não pode significar viver com menos direitos, menos oportunidades ou menos futuro.
A Estratégia atualmente em vigor, apresentada pela Comissão Europeia em 2022, não dá respostas aos desafios que surgiram desde então.
Vivemos hoje uma crise energética. O impacto no preço dos combustíveis é especialmente pesado nas RUP, que estão dependentes do transporte marítimo para o acesso a bens. É uma das razões pelas quais precisamos de programas específicos para estas regiões na área dos transportes.
A Comissão Europeia, na proposta para o Quadro Financeiro Plurianual, vai no sentido oposto, eliminando programas, como o POSEI, que estão dedicados especificamente às RUP. Uma das minhas prioridades neste relatório será reforçar a posição do Parlamento contra esta proposta e defender mais programas específicos, nomeadamente na área dos transportes, para estas regiões.
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